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O Inferno de Auschwitz

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Texto escrito em julho de 2011 por ocasião da viagem à Polônia. Publicado no www.blogdapolaca.blogspot.com e no Jornal Aconteceu de São Mateus do Sul.
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  • O Inferno de Auschwitz Por Larissa Drabeski “Aqueles que não podem lembrar o passado, estão condenados a repeti-lo”: a frase, de autoria de George Santayna, está colocada em um dos primeiros barracões do Campo de Concentração de Auschwitz e justifica a transformação do local em museu e memorial. Por Auschwitz passaram milhões de pessoas (não há certeza sobre esses dados) e poucos milhares sobreviveram. A maioria era de judeus, mas por ali passaram – e sofreram nas mãos dos nazistas – pessoas provenientes de quase todos os países da Europa, inclusive da Alemanha. O campo impressiona pelo tamanho e pela aura de morte que conserva. Até o cheiro parece diferente. Inicialmente, o campo tinha a função de repreender a população da polonesa. O primeiro transporte de passageiros aconteceu em 14 de junho de 1940, trazendo prisioneiros políticos poloneses. A entrada por onde se inicia a visita atualmente é a mesma por onde chegavam essas pessoas. Na entrada, viam a inscrição “Arbeit macht frei”, ou seja, o trabalho liberta. Eram recebidos por uma orquestra tocando música alemã, sem saber que se encaminhavam para a morte. Para os que já estavam aprisionados, a música alemã servia como tortura psicológica. A função se modificou quando Hitler adotou o que ele chamou de solução final: exterminar os judeus. Em Auschwitz, cidade polonesa localizada a poucos quilômetros de Cracóvia, os alemães instalaram dois campos de concentração. No campo de Auschwitz I os visitantes podem circular pelos diferentes prédios, caminhar pelo chão e pelas escadas já gastas, conhecendo um pouco do que os prisioneiros passaram naquele local. Um dos barracões é destinado para as provas materiais dos crimes cometidos. Ali, estão reunidos os pertences pessoais que eram retirados dos prisioneiros na sua
  • chegada. São montanhas de sapatos. Centenas de óculos. Uma imensidão de panelas e outros pertences pessoais. Há também um grande número de malas com os nomes dos prisioneiros e a data de nascimento, porque, ao chegar a Auschwitz, os soldados alemães pediam que identificassem suas malas para pegá-las quando fossem embora, o que nunca ocorria. Quando as pessoas eram encaminhadas para o extermínio nas câmaras de gás, também costumavam receber toalhas, pensando que iriam para o banho. Diziam que deviam lembrar de onde deixaram suas roupas para pegá-las quando saíssem do banho. Depois que os corpos eram retirados das câmaras de gás, os cabelos das mulheres eram cortados e vendidos para a fabricação de tapetes ou de casacos. Encontram-se exposto uma infinidade de cabelos que foram cortados, bem como um tapete fabricado com cabelo humano. Estudos comprovaram que aquela fabricação continha 30% de cabelo e que possuía resíduos do gás utilizado para assassiná-los. Quando o campo foi invadido e libertado pelos soviéticos em 1945, foram encontrados sete mil quilos de cabelo já empacotado para ser vendido à fábrica que fazia os tapetes. Além dos alojamentos, nos quais estavam pessoas submetidas a trabalhos escravos e alimentação racionada que levava muitos a morte, havia ainda uma prisão, para onde eram levados por mau comportamento. Ali, muitos eram fuzilados ou torturados. Uma das torturas mais cruéis era a cela para fica em pé. Em um espaço de aproximadamente um metro quadrado eram colocados quatro prisioneiros, que não tinha como sentar-se ou deitar-se. A única ventilação vinha de uma janela minúscula (se é que se pode chamar de janela) que não deve ter mais de 10 centímetros quadrados. O ar insuficiente fazia a maioria dos condenados a essa pena a morrer asfixiados. Mais adiante, pode-se visitar as câmaras de gás, nas quais era utilizada uma pedra chamada de Ciclone B, que a altas temperaturas se converte em gás tóxico. As câmaras tinham capacidade para 900 pessoas. O processo durava de 5 a 10 minutos. O primeiro
  • experimento com Ciclone foi realizado em setembro de 1941, matando 600 russos e 250 polacos. Depois de retirados das câmaras, os corpos eram incinerados. Hoje também se pode conhecer o incinerador. Ao ver os locais onde tantos horrores aconteceram, muita gente deixa transparecer a emoção em choro compulsivo. Embora já pareçam horríveis para os visitantes, as condições desse primeiro campo não eram nem comparáveis às do campo de Auschwitz II ou Birkenau, onde as condições eram ainda mais subumanas. Esse era o local ainda mais mortal. A ferrovia atravessava o portal de entrada do campo e chegava até um local aberto no qual os prisioneiros passavam por uma separação. Aquela praça já ficava perto dos locais de extermínio para facilitar o trabalho. São 140 hectares que foram dedicados à morte. Quando se está do lado de dentro desse enorme cemitério, é bom olhar para o outro lado e saber que poderá sair livremente e ileso daquilo que foi um inferno sobre a terra. (Texto escrito em julho de 2011 por ocasião da viagem à Polônia. Publicado no www.blogdapolaca.blogspot.com e no Jornal Aconteceu de São Mateus do Sul)
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